02 abril, 2013

Linhas Cruzadas


1º Capítulo - O começo de Tudo 

Peguei algumas blusas, e alguns shorts jeans e pus na minha mochila que estava quase totalmente arrumada. Olhei ao redor, sentia que estava esquecendo-me de algo, mirei na minha cômoda, estava vazia. Todos meus perfumes, desodorantes e cremes já estavam em minha mala, talvez eu estivesse só meio nervoso com tudo que teria que passar. Fazia 3 anos que meu pai tinha largado de minha mãe por uma mulher 20 anos mais nova que ele, eles trabalhavam na mesma empresa. Foi muito difícil para minha mãe, ela realmente amava-o muito, senti ódio daquele homem como nunca tinha sentido de alguém antes. Ele fez a mulher que eu mais amava ter por meses noites mal dormidas e totalmente nostálgicas. Até para mim era difícil poder dormir, meu peito doía ao ouvir os choros dela, por mais que ela tentasse abafa-los com o travesseiro.

Bom, mas isso mudou faz 8 meses, ela conheceu outro homem.Ele já jantou algumas vezes aqui em casa, não tenho o que reclamar.Ela parece estar bem mais feliz, está se cuidando mais, o que me alegra muito. Ele também é gente boa, médico, não é um vagabundo, mas como qualquer filho, sempre me dá uma ponta de ciúmes quando vejo os dois juntos. 
E a causa de todo meu nervosismo, é que Naoto-san, meu futuro padrasto, teve a ideia de minha mãe e eu passarmos o final de semana na casa de praia dele. Fala sério, eles vão ficar naquele “Momento Love” e eu vou ficar comendo mosca. Mas ok, acho que poderei tirar um tempo para poder pensar no que eu quero para meu futuro. 

Me chamo Shiroyama Yuu, mas meus amigos me apelidaram de Aoi, e meio que todo mundo agora me chama assim, menos a minha mãe que insiste de me chamar de Bebê, ela realmente não consegue aceitar que daqui a 5 meses farei 17 anos, já sou um mini homem... Ou algo assim.

Levei as malas para o carro de minha mãe. Assim que já estava tudo arrumado, entramos no carro. Ela estava totalmente animada com a viagem, era em uma cidade do lado da nossa, nunca tinha ido lá antes, mas procurei no Google algumas imagens de lá e me pareceu um lugar muito bonito, com vários pontos turísticos. 

Chegando lá, confirmei o pensamento que tinha tido. Era realmente um ótimo lugar para se viver. Quando estávamos perto da casa de Naoto-san, minha mãe decidiu quebrar o silêncio.
- Então querido, você não está animado? – Me fitou por alguns segundos, voltando à atenção para estrada. Shiroyama Chikako, a mulher mais radiante que já vi em toda minha vida. A mulher pela qual daria a minha vida.

- Mamãe, se você estiver feliz, eu também estarei. – Falei em um tom de voz carinhoso, acompanhado de um sorriso. Era verdade, com tanto que ela estivesse feliz, eu estaria feliz também. Era isso o que importava para mim. Ela me retribuiu com outro sorriso.

-Ah querido, acho que me esqueci de lhe contar. O filho do Naoto também estará conosco. Ele achou que seria legal todos nós nos conhecermos melhor. – Bem, não disse nada, afinal o que poderia dizer? Só espero que não seja um pirralho encapetado. 

Enfim, chegamos. Para uma casa de praia ela era bem grande. Ajudei Naoto-san a levar as malas para dentro, ele me mostrou onde era meu quarto que ele tinha pedido para a empregada arrumar. Coloquei minha mala ao lado da cama, e me deitei. Ela era macia. O quarto, mesmo sendo para visitas, ela muito maior do que o meu. As paredes eram brancas e somente uma delas era um tom de marrom escuro, os móveis eram brancos também. A cortina da janela era cinza em um tom claro, a paisagem de lá de fora era simplesmente incrível. Naoto-san realmente tinha bastante dinheiro.

- Bebê, venha cá um momento. - Era a voz de minha mãe, desci o mais rápido possível as escadas para ver se ela queria minha ajuda com algo mais. Quando cheguei ao pé da escada, conversando com a minha mãe tinha um cara talvez um pouco mais velho do que eu. Mas, porque diabos ele usava aquela faixa no nariz? Não tem nariz não? Tá fazendo cosplay do Voldemort? Logo a atenção de todos foi presa a mim. Sem notar comecei a dar gargalhadas daquele pedaço de faixa na cara dele. Fiquei sem graça na mesma hora. 

- Querido, esse é o Akira-kun, filho do Naoto.- Minha mãe e Naoto-san sorriram para mim. O rapaz estava olhando-me sério, com um olhar até mesmo assustador. Meu deus, eu não deveria ter rido, mas fala sério, ele pediu né? Ele deveria ter a mesma altura que a minha, cabelo descolorido, até que gostei do estilo dele, só aquela faixa estava me incomodando um pouco. Tentando ser amigável com ele, estendi minha mãe para cumprimenta-lo, a única coisa que ele fez foi me virar o rosto, e ir em direção a outro cômodo. Eu tentei ser legal. Eu tentei...

Naoto-san ficou sem palavras, seguindo com os olhos as costas do filho. Poxa, até que o Naoto-san era legal, pensei em um filho igual ao pai, estava enganado.
- Desculpe Aoi-kun, meu filho é meio complicado ás vezes. – Ele falou abaixando a cabeça. Minha mãe foi consola-lo. A tarde inteira fiquei trancado no “meu” quarto escutando “Shiver”, entre outras músicas que eu curtia da minha banda preferida. Até que alguém bateu na porta do quarto. Me levantei e a abri. Era a minha mãe.

- Bebê, eu e o Naoto vamos jantar fora, a empregada já foi embora. Mas, mais tarde irá vir a irmã do Naoto preparar algo para vocês. –  Disse ela.

- Mamãe já sou bem grande, não preciso de outros preparando meu jantar. -  Ela tinha que parar de pensar que eu ainda era uma criancinha. 

- Ah, desculpe querido. Mas foi ela que ofereceu, e convenhamos, a última vez que você tentou fritar um ovo quase pois fogo na casa. – Disse ela ferindo meus sentimentos. Poxa, ok, eu realmente fiz isso, mas foi a 3 semanas atrás, já sou mais competente do que eu era. Mas tudo bem, se ela se ofereceu, não gosto da comida que eu faço mesmo. 

Naoto-san e mamãe saíram da casa e pediram para mim descer, para chavear a porta da frente, pois a irmã dele tinha uma cópia de todas as portas da casa. Então não teria problemas para ela entrar mesmo que nós não a ouvíssemos chegando. Desejei um bom jantar a eles e chaveei a porta como pedido. Então me virei  para voltar para “meu” quarto e acabei levando um susto. Ele estava bem atrás de mim, Reita me encarava com um olhar que me fez tremer. Tá, eu posso ter pinta de machão, mas não sou bom em brigas. E ele parecia querer me espancar pelas risadas que eu soltei sem querer. Droga, por que isso foi acontecer? 

- Você riu de mim... E agora está com medinho é? Aoi? É esse seu nome, certo? – Ele disse em um tom de deboche. Se aproximando de mim. Talvez, eu tenha demonstrado um pouco do meu medo, talvez muito. Não sei, realmente não sei. Tentando recuar fui voltando para trás. Droga, já tinha chaveado a porta não daria tempo de abri-la e sair correndo. Talvez se eu continuasse a conversar com ele, e procurar uma saída, talvez eu conseguisse escapar de apanhar.

- Como você sabe meu nome? E-e Aoi não é meu no-me, é meu apelid-oo, meu nome éé Shiroyama Yuu. – Falei gaguejando, as luzes estavam apagadas, estava tudo escuro, O que dava mais medo , notei que já estava encostado na porta, não tinha realmente mais para onde fugir. “Fique calmo, Fique calmo Aoi!” . Repeti várias vezes para mim mesmo. E para piorar ele ainda se apoiou com o braço direito para a única lateral livre, que talvez, por um milagre, eu conseguisse correr e pular a janela, ou sei lá.A outra lateral tinha uma parede. Maravilha.  Meu coração estava a mil.

- Porque você está tão nervoso Aoi, acho que posso te chamar disso não é? Sabe, não gostei muito do modo como você riu de mim, não foi gentil da sua parte. Fiquei muito triste sabia? Eu quero que você peça desculpas para mim agora. – Falou ele , em um tom mais debochado que antes, afinal, o que esse cara quer de mim? Ok, se eu pedir desculpas, vai ficar tudo bem. Ele mesmo disse, respire fundo Aoi, e diz. 
- Me perdoe, sinto muito, muito mesmo. – Falei tão rápido, saiu meu enrolado, mas dava para entender. Ele riu de mim, o que era engraçado? Depois olhou para o teto, e novamente me prendeu no olhar. 
- Não quero que você peça assim, você terá que pedir gemendo. – Me agarrou, e me levou para um hall, abriu uma porta e entramos lá, ele trancou a porta e depois ligou a luz. Mesmo com a luz ligada era meio ruim para enxergar algo, foi só depois de forçar bastante a visão que notei que era o porão. E o que mais me incomodava era o que ele tinha dito... Gemendo? ... Como assim? Sim, eu estava tremendo, ele iria me torturar? Involuntariamente lágrimas escoriam dos meus olhos, que tipo de “mini-homem” é eu? 

Ainda me segurando desceu as escadas, e depois me jogou em cima de uma mesa. Tirou a blusa, ele tinha um corpo bem trabalhado. Ele me olhou com um olhar super malicioso, que me fez ter arrepios. A próxima ação dele foi apoiar os joelhos na mesa, eu estava completamente imóvel. Ele desabotoou minha camisa, depois encaixou o quadril dele no meu e me lambeu desde o começo da minha calça até a minha orelha, fiquei completamente sem reação. A única coisa que saiu da minha boca, e por impulso foi:

- Continue. – Mas que droga foi que eu disse? Eu não acredito, eu sou gay? Não, eu não vou perder a minha virgindade com um homem. Tá louco? E do nada... Ele tira as calças, ele tinha pernas tão... Lindas. Droga, eu não consigo falar nada, absolutamente nada. Estou me sentindo uma boneca, por que será que aquele olhar dele me deixa totalmente duro, literalmente. Não acredito eu estou... Excitado? Fechei meus olhos, não podia acreditar no que estava acontecendo. 

- Garotos, onde vocês estão? – Foi um pouco difícil de escutar, mas meu corpo foi rápido para fugir de baixo dele , e abotoar rapidamente a camisa. Reita também se vestiu ligeiro como se sua vida dependesse disso.

“Onde esses meninos se meteram.” Pensou consigo Tia Gina. Ela começou a andar pela casa, quando estava passando na frente da porta do porão escutou alguns ruídos. Tentou abri-la mas estava trancada, então pegou a chave daquela porta e a abriu. A cena que viu? Aoi na metade da escada e Reita ainda lá embaixo.

- O que vocês estavam fazendo meninos? – Perguntou. Aoi tremia, realmente não sabia o que responder. Tia Gina vendo o estado de Aoi e a cara  de “poucos amigos” do Reita, acabou deduzindo que ele estava tentando bater em Aoi, por saber como Reita era, foi isso que achou. 

- Bom, ainda não fomos apresentados, sou Aoi o filho da Shiroyama Chikako. – Me apresentei, sorrindo. 
- Me chamo Gina, mas pode me chamar de Tia Gina. – Disse ela gentilmente. – Por que vocês não vão para a sala jogar algum jogo? Enquanto eu preparo a janta. – Assim que ela saiu, senti ele subindo as escadas, senti ele se encostando nas minhas costas, senti o calor da sua boca sussurrando tais palavras que me fizeram paralisar, depois ele se foi, só deixando para trás o cheiro do perfume dele, era tão bom aquele aroma. O que ele disse ?


- Na próxima oportunidade, eu te pego. 





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